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Dicas de Língua Portuguesa: Intertextualidade e interdiscursividade

Dicas de estudos para Língua Portuguesa para provas de diferentes concursos públicos.

Publicado em 26/08/2016 - 15h00 • Comunicar erro

Dentre os assuntos de Língua Portuguesa cobrados nas provas de dezenas de concursos públicos, um deles é a Intertextualidade e a Interdiscursividade. Trata-se de dois conceitos chaves do dialogismo, defendido por Bakhtin, conforme afirma Fiorin, em seu livro Introdução ao pensamento de Bakhtin (2006).

Para Fiorin, “todo discurso é inevitavelmente ocupado, atravessado, pelo discurso alheio. O dialogismo são as relações de sentido que se estabelecem entre dois enunciados” (p. 19). Portanto, o dialogismo é o conceito que afirma que todos os textos possuem relação com outros textos, em que jamais fazem parte de uma produção 100% original, nunca antes dita. Pelo contrário, as relações textuais (intertextuais e interdiscursivas, por exemplo) remetem a textos já produzidos.

Claro que, para que compreendemos de onde vem cada texto ou de qual texto cada autor baseou-se ou fez referenciou, é necessário que o leitor tenha, logo, o conhecimento de mundo, a bagagem cultural. Por isso que, para cada pessoa, o dialogismo pode parecer se apresentar de uma forma diferente, face a experiência de vida ou de leitura.

Conceito de intertextualidade

O conceito abordado, dialogismo, divide-se por muitos outros, como acontece com a intertextualidade. A intertextualidade, nada mais é do que a “relação entre textos” (FIORIN, 2006, p. 51). A intertextualidade se dá pela relação existente entre textos que se conversam por meio de um aspecto em comum. Para identificar a intertextualidade, você pode reparar em citações, paródias, paráfrase. Um texto é criado a partir de outro pré-existente, garantindo, assim, a relação dialógica entre eles. Na verdade, na intertextualidade você remete ao texto original, utilizando palavras ou frases que ajudam o leitor a identificar essa retomada.

Conceito de interdiscursividade

A interdiscursividade, por outro lado, pode ser explicada como:

A relação dialógica no texto não é manifestada, não é materializada linguisticamente quando ocorre a interdiscursividade, pois a interdiscursividade é a relação entre enunciados, os quais são compostos por vozes sociais que o enunciam. A relação interdiscursiva é uma relação dialógica a partir do momento em que existe uma relação de sentido entre os discursos, seja ele negado ou afirmado em outros enunciados. (FIORIN, 2006).

Logo, o que pode ser observado é que a interdiscursividade é a relação entre discursos. Nos textos em que ocorrem a interdiscursividade, os diálogos existentes entre os textos são intencionais. Não estão marcados no texto, como metalinguagem, estão no discurso, de forma abstrata, mas ao mesmo tempo muito clara.

Por exemplo, no livro Dom Casmurro (1899), de Machado de Assis, existe a interdiscursividade com outro discurso, o jurídico, em que Casmurro (ou Bentinho) tenta se convencer (e consequentemente convencer-nos) que Capitu o traiu, utilizando da argumentação, já que ele era doutor, advogado. Em uma primeira leitura, pode ser muito imperceptível essa relação, entretanto, ela existe.

Intertextualidade vs interdiscursividade

Percebe-se então que os textos são dialógicos e que há interação entre enunciados e discursos. Fiorin, na mesma obra, aborda a diferença fundamental entre os conceitos:

[...] devem-se chamar intertextualidade apenas as relações dialógicas materializadas em textos. Isso pressupõe que toda intertextualidade implica a existência de uma interdiscursividade (relação entre enunciados), mas nem toda interdiscursividade implica uma intertextualidade. (p. 52).

Assim, os textos podem se conectar conforme o discurso implícito ou explícito presente, facilitando ou não a compreensão do leitor. Tanto a intertextualidade quanto a interdiscursividade são relações dialógicas e existem.

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